Da "Cidade-Berço" para os palcos da televisão nacional: O passado, presente e futuro de uma jovem cantora

O "The Voice Portugal" 2023 revelou alguns cantores que abrilhantaram as noites de domingo da RTP. De entre eles salta à vista a vimaranense, Maria João Soares. Esta aluna do curso de Educação Básica da Universidade do Minho foi a 2ª classificada da competição e procura galgar passos numa carreira em que o limite é o céu.

Esta jovem tem gostos que se divergem por artes performativas como a dança e o canto. Para além disso tem um carinho especial pela religião e as suas crenças levaram a que se juntasse aos escuteiros da freguesia de Creixomil, vindo mais tarde a tornar-se catequista nessa mesma paróquia.

A própria caracterizava a música como um “hobby”, mas afirma que hoje em dia procura fazer disso “a sua vida”. Essa paixão começou precisamente no coro da igreja, onde deu os seus primeiros passos na música. Com apenas 8 anos passou a integrar os “Jovens Cantores de Guimarães”, projeto que acompanhou por 10 anos ao leme da professora e fundadora, Janete Costa Ruiz. A partir desse momento os projetos musicais foram surgindo em efeito “bola de neve”, sendo criadora de projetos como “Sem Direção”, “Max” e “Creiximir”, que foram cofundados e concretizados com a colaboração de família e amigos.
Dividida entre vida académica, catequese, escuteiros, compor música, ensaios e concertos, Maria vê um refúgio na sua paixão pelo que faz. A artista afirma “as pessoas à minha volta também contribuem para esta facilidade” e conclui que “acaba por dar tudo certo”. Mesmo tendo “uma vida muito preenchida”, garante que “com vontade nós conseguimos encaixar sempre as ‘pecinhas todas da nossa vida’, desde que gostemos daquilo que fazemos”.
A sua paixão pela música foi algo que superou tudo o resto de uma forma mais recente. A própria foi aluna do Conservatório de Guimarães entre o seu 5º e 12º ano, ao abrigo do regime de ensino articulado. Foi aí que alicerçou uma maior ligação com esta arte performativa. Apesar do contacto diário com essa arte, acabou por decidir que queria prosseguir estudos noutra área. Segundo declarações suas “resolvi que não era aquilo que eu queria para a universidade, e então entrei em Educação Básica.”
Mesmo tendo deixado de estudar música há pouco tempo, refere que no final do seu primeiro ano de licenciatura “já estava num registo mais definido” e “sabia aquilo que queria”, assim sendo surgiu a ideia de participar no “The Voice”.
“Esta foi das melhores decisões que tomei na minha vida”, “foi surreal”, foram as palavras que a jovem proferiu quando questionada sobre a sua experiência na competição.
Maria João Soares realça também a importância de algumas pessoas que contribuíram para a sua evolução ao longo da competição, começando por António Zambujo. “Ele teve a dica certa que eu precisava de ouvir, e eu melhorei muito desde então”, acrescenta ainda “é um artista com o qual me identifico imenso”.
A cantora mencionou como momento alto deste programa o facto de cantar a Balada de Outono na final. A mesma refere “eu estava tão envolvida na atuação que estava a fazer, que não tive a perceção do tempo a passar”. A vimaranense afirma ainda “sinto que dei o meu melhor e que pus cada emoção em cada palavra que cantei, foi um momento que me arrepia hoje ainda só de e que me vai marcar de certeza para a vida”.
Esta jovem sublinha o valor das pessoas que estão por detrás das câmaras, tal como os vocal coaches, a produção, a família e amigos, mas “acima de tudo Guimarães”. “Eu tenho consciência que se não fosse de uma cidade assim tão bairrista, se calhar as coisas não tinham sido iguais”. “Portanto, tive e tenho muita sorte de ser de Guimarães, de ser do Norte e de ser do Minho.”
Maria João Soares refere que quando regressou a Guimarães após a competição foi muito bem recebida e acarinhada pelas gentes da “Cidade-Berço”, afirma ainda “a importância de nascer em Guimarães foi fundamental para o meu percurso.” A vimaranense diz que adora tudo o que está relacionado com a cidade, como o clube, as pessoas, e acima de tudo o bairrismo “é isso que eu gosto mais da nossa terra”.
O facto de ter sido a segunda colocada do “The Voice” trouxe-lhe um maior reconhecimento pela sua arte, algo que não passou despercebido pelo clube do seu coração, o Vitória Sport Clube. Assim sendo foi convidada a cantar em pleno Estádio D. Afonso Henriques no intervalo de um dos jogos. Maria afirma “foi um dos momentos que eu vou guardar para sempre no meu coração”, “principalmente por ser acompanhada com o meu irmão”.

Com inspirações musicais que variam entre Bárbara Tinoco e Carolina Deslandes até Zeca Afonso e Paulo de Carvalho, é dentro da família que Maria João Soares encontra o que define como “referências”. De entre elas destacou o papel dos seus pais “porque sempre me apoiaram em tudo”, e dos seus irmãos “porque são das pessoas mais genuínas que eu tenho”. A própria não esqueceu os seus avós, dizendo “são claramente os meus maiores fãs”.
Fragmentada entre estudos e a música diz que o seu projeto atual é “terminar a universidade, mas acima de tudo é tentar, agora mais que nunca, pôr os pés e caminhar firmemente neste mundo que é a música”, acrescentando ainda “se não for agora, nunca mais vai ser”.
A artista tem agora vários projetos a solo, a partir dos quais faz concertos, atuações em eventos, espetáculos, abre concertos de outros músicos e compõe. Maria considera que vai “sempre aproveitando essas pequenas, grandes oportunidades”, tendo como objetivo futuro lançar músicas da sua autoria.
Aquando do fim da entrevista de Maria João Soares ao eCCencial, a mesma fez questão de deixar um recado para quem pretende seguir a área da música, sendo uma mensagem que se poderá relacionar com toda e qualquer pessoa que tem objetivos futuros “se vocês quiserem e gostarem mesmo, trabalhem, lutem”.




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