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Entre a Sala de Aula e o Pódio: O Equilíbrio Delicado da Vida de um Estudante-Atleta

Foto do escritor: Ricardo Ferreira
Ricardo Ferreira
31 de mai. de 2024
4 min de leitura

Num cenário desafiante, onde o reconhecimento pelos desportos de combate em Portugal ainda é uma batalha acesa, Nuno Pinto, campeão mundial de artes marciais, partilhou com o eCCencial os desafios que enfrenta diariamente ao equilibrar a sua jornada académica com a exigência da carreira de atleta de alta competição



Os Dois Lados



A Faísca que Acendeu uma Paixão


Nuno Pinto mergulhou no mundo do kickboxing desde tenra idade, aos 8 anos. Não houve nenhuma motivação própria ao ingressar nessa modalidade. Todavia, quando teve a sua primeira aula na Associação Desportiva KTF, onde colabora até aos dias de hoje, apaixonou-se de imediato pelo kickboxing e pelas outras modalidades de combate.






O seu talento e esforço rapidamente levaram-o a conquistar inúmeros prémios significativos: “já consegui arrecadar 12 títulos mundiais em diferentes categorias de peso, 5 títulos nacionais e regionais, também já fui campeão europeu e ibérico”.



Uma Questão de Tempo


Atualmente, Nuno também é estudante do curso de Fisioterapia na Escola Superior de Saúde do Vale do Ave (ESSVA). Curso que escolheu porque sempre teve interesse no “ estudo do funcionamento do corpo humano”, sem nenhuma relação com o facto de ser atleta. O próprio afirma que a conciliação entre a vida académica e a de atleta de alta competição, não é uma tarefa fácil. São vários os desafios que o estudante-atleta enfrenta diariamente.

O problema central é mesmo o tempo. Com treinos de “3 a 4 vezes por semana” e diariamente uma hora e meia de “preparação física”, ou seja, exercícios de ginásio complementares e ainda as aulas deixam o tempo de Nuno Pinto bastante condicionado.  


Outro time killer é o tempo de deslocação. Sempre que tem de se deslocar para a universidade “são quatro horas do meu dia perdidas” de autocarro, de Vizela para Vila Nova de Famalicão. O estudante-atleta tenta rentabilizar esse tempo ao máximo “estudando”, dentro das condições possíveis, no próprio autocarro.


Esses desafios diários arrastam abdicações. Nuno expressa que não pode viver a sua “experiência académica” ao máximo, porque qualquer deslize arrecada problemas, num desporto onde quaisquer detalhes fazem a diferença.




Contudo, o tempo não é o único desafio que o jovem enfrenta. O maior adversário fora do ringue “é mesmo o peso”. É necessária uma preocupação diária para se manter no auge da sua forma física e adaptar-se, facilmente e rapidamente, às fases de bulking e cutting-





Para piorar ainda mais a situação, a ESSVA não lhe fornece o estatuto de estudante-atleta “A minha universidade não oferece nenhum tipo de apoio.”.   Tornando-se estreito o caminho para eventuais faltas de presença e erros graduais. Isso leva-o à obrigação de prescindir alguns treinos, para ser assíduo nas aulas e nos momentos de avaliação





Máquina do Tempo


Apesar de todos os desafios diários que o atleta tem de combater, ele afirma que consegue gerir o seu tempo e ainda “criar um espaço” para a sua vida pessoal. Ele afirma a importância de ter tempo para si mesmo e realizar outros hobbies.




Mesmo com a constante luta com o seu corpo e peso, a rotina cansativa, as competições e as avaliações escolares, Nuno Pinto afirma que essa incessante pressão, que ele carrega nos ombros, não lhe afeta em termos de saúde mental. O atleta afirma que é necessário ter uma “balança equilibrada” entre os treinos e as aulas, essa é a chave. Também é necessário manter a rotina a rigor, porque qualquer deslize pode “afetar a minha produtividade durante uma semana inteira (…) tenho de ser exímio” tanto na vida académica como na de atleta.



Um conselho que Nuno dá a todos os jovens que estão a passar pela mesma fase é “saberem organizarem-se! Parece o conselho mais básico e simples, mas é a chave para o sucesso”. O jovem destaca a importância de gerir o tempo disponível e definir uma agenda “basicamente, ter horas para tudo”. Outro fator que o campeão mundial considera crucial para manter o foco e a disciplina é simplesmente “ter uma paixão pelo que se faz”. É esse amor que o faz continuar e esquecer as dificuldades do dia a dia.  

 

Quando questionado sobre a sua perspetiva para a carreira ele destaca alguns objetivos tanto a nível académico como desportivo. Em termos académico, ele deseja terminar o curso e seguir a sua carreira como profissional de saúde. Quanto à sua carreira no KickBoxing e outras modalidades ele exalta grandes ambições, como “ ganhar mais títulos mundiais, ser reconhecido nos grandes palcos como o Conselho Mundial de Boxe (WBC)” e conseguir competir com os atletas mais aclamados do desporto.


O estudante-atleta ainda faz um apelo ao cenário nacional dos desportos de combate. Apesar da crescente ascensão e visibilidade da modalidade nos últimos anos, ainda há vários aspetos a melhorar, especialmente financeiros.


A história de Nuno Pinto é um testemunho da determinação e resiliência necessárias para trilhar um caminho de um estudante-atleta. Num cenário onde o reconhecimento é ainda relativamente baixo, Nuno personifica a essência e o poder da perseverança e paixão. Onde a ambição supera os obstáculos, onde a vontade de vencer supera a pressão que lhe acompanha diariamente. A sua história serve de exemplo a todos os jovens que estejam a passar pela mesma situação, mostrando que com dedicação e disciplina, é possível alcançar as máximas alturas, tanto no Auditório, como no Pódio.



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