Marrocos: um país em evolução. Uma reflexão sobre a 9ª Expedição Solidária do grupo famalicense a Marrocos

Como é que os membros do Clube de Aventura de Famalicão percecionam os contraste/evoluções em Marrocos?
Desde os anos 2000, o Clube Aventura de Famalicão (CAF) tem organizado expedições a Marrocos. Tradicionalmente realizadas de quatro em quatro anos, estas expedições têm como objetivo proporcionar ajuda humanitária às comunidades mais carentes. Além do aspeto solidário, os participantes, amantes do Todo Terreno, aproveitam para navegar pelas dunas e percorrer o deserto, combinando a adrenalina e a solidariedade.
O nosso jornal esteve à conversa com dois participantes destas aventuras: David Dias, Presidente do CAF desde 1993, e José Leite, membro do Clube e participante assíduo nestas expedições.
Inicialmente focadas na aventura, as expedições do CAF logo incorporaram uma vertente solidária, evoluindo para "Expedição a Marrocos: Escolas Solidárias". Essa ideia nasceu da experiência de David, um membro do CAF que viaja a Marrocos desde os anos 80. "Como estávamos ligados ao clube e os grupos começaram a crescer em termos de expedição, por que não juntar o útil ao agradável?" explicou David. Assim, o CAF passou a levar ajuda material, como roupas, brinquedos e material escolar, para crianças e populações carenciadas.
No passado dia 25 de maio, a caravana partiu para mais uma expedição intitulada, desta vez, "Expedição a Marrocos: Pós-terramoto", com a presença do nosso jornal. Durante 10 dias, a caravana visitou várias aldeias, escolas e famílias nómadas, distribuindo roupas, material escolar, brinquedos e itens de farmácia, como soro fisiológico, pensos rápidos e Betadine.
A preparação das expedições começa meses antes, com os membros da presidência reunindo-se para planear cada detalhe. Segundo o presidente do clube, a experiência acumulada em viagens anteriores foi crucial para identificar as necessidades do povo marroquino. "Procuramos informações junto da embaixada e de parceiros locais em Marrocos, incluindo associações e guias que conhecemos," explicou ele. Este ano, devido ao terramoto recente, o foco foi redirecionado para as áreas mais afetadas.
Apesar do desenvolvimento urbano, as necessidades básicas nas áreas rurais de Marrocos ainda persistem. "Todos os anos percebemos que, apesar do desenvolvimento das cidades, as necessidades básicas ainda persistem, especialmente nas áreas rurais," afirmou David. As expedições têm sido adaptadas para responder a essas necessidades, que incluem vestuário, alimentação e material escolar.
Um dos aspetos mais marcantes das expedições é a hospitalidade das pessoas em Marrocos, especialmente nas aldeias e nas pequenas vilas. "Nós somos muito bem aceites, somos acarinhados," disse David. Nas áreas remotas, as receções calorosas contrastam com a receção mais impessoal das grandes cidades. "As pessoas nunca se esquecem do que a gente faz por lá," ele concluiu. Além disso, os marroquinos são um povo prestável, estando sempre dispostos a ajudar, desde oferendo chá a guiar grupos no deserto.
Desde 2001, a primeira viagem de José Santos com o grupo, Marrocos tem passado por uma notável transformação, evoluindo de um país relativamente pobre para uma nação mais desenvolvida. As melhorias são visíveis em diversas áreas como infraestruturas rodoviárias, educação, turismo, iluminação pública e agricultura.
Uma das mudanças mais marcantes observadas pelos membros do CAF é a melhoria nas estradas de Marrocos. "Hoje, as estradas, mesmo no sul do país e nas zonas desérticas, já possuem asfalto," relatou José Santos, um dos membros do CAF. Isso facilitou o transporte e a comunicação entre as diferentes regiões, impulsionando o desenvolvimento local.
No início dos anos 2000, as escolas eram frequentemente velhas e mal equipadas. Os alunos ficavam nas mesmas salas sem haver distinção de idades. Atualmente, há um esforço claro para melhorar as condições educacionais, com a construção de novas escolas, mesmo nas áreas mais isoladas. Muitas das escolas deixaram de ser nómadas e passaram a ser fixas. "As escolas são novas, têm boas condições, e há transportes escolares para crianças de regiões distantes," disse o entrevistado do CAF. Hoje em dia, as escolas situam-se fora das cidades para conseguirem abranger mais localidades.
O setor turístico também se beneficiou das melhorias infraestruturais. Em 2001, muitas áreas de Marrocos ofereciam apenas acomodações básicas. Hoje, o país possui hotéis de quatro estrelas e uma infraestrutura turística robusta que atrai visitantes de todo o mundo. "Os hotéis melhoraram imenso, e o turismo desenvolveu-se com a melhoria das infraestruturas," observou.
Anteriormente, aldeias e cidades eram mal iluminadas. Hoje, há uma aposta forte na iluminação moderna, com luzes LED nas principais vias e também em ruas mais escondidas. "Hoje já se vê à distância as cidades e vilas iluminadas, algo que era difícil de ver anos atrás," relatou José.
Marrocos é um país de contrastes, dividido pela cordilheira do Atlas, que separa o norte mais mediterrâneo e rico do sul mais árido e desértico. A norte, a paisagem é verde e fértil, muito parecida com a paisagem de Portugal e Espanha, com uma agricultura desenvolvida e uma economia mais robusta. A sul, o cenário é mais agreste, mas ainda assim, a região tem encontrado maneiras de prosperar. "O Sul, embora mais agreste, aproveita o turismo e certas culturas agrícolas, como melancias e melões, para crescer economicamente", explicou José Santos. O participante admite que, no início, para este grupo, era estranho estar no meio do deserto e encontrar plantações de melões e melancia, uma vez que não havia nada a volta, nem sequer água. Era uma zona muito pobre, mas que com o turismo e o avanço da agricultura, pouco a pouco, evolui. No entanto, continuam a existir famílias nómadas. Estas são famílias que vivem em tendas no meio do deserto, sem acesso a nada. Um dos guias que conhecemos era destas famílias. Como vivem no deserto, acabam por conhece-lo melhor que ninguém, aproveitam e vivem disso. Ou seja, guiam grupos no deserto mostrando maravilhas escondidas, como os oásis.
A transformação de Marrocos nas últimas duas décadas ilustra claramente como melhorias nas infraestruturas, educação e turismo podem impulsionar o desenvolvimento de uma nação. As expedições do Clube Aventura de Famalicão (CAF) desempenham um papel vital, fornecendo ajuda humanitária essencial e oferecendo uma visão direta das mudanças e desafios enfrentados pelo país. Cada viagem do CAF reforça um compromisso profundo com a solidariedade, demonstrando que a aventura e a ajuda ao próximo podem, de fato, caminhar lado a lado. Este modelo de expedição, que combina exploração e assistência, não só enriquece as vidas das comunidades visitadas, mas também transforma a perceção dos participantes sobre a importância do auxílio mútuo e da responsabilidade global.
Sabe mais sobre a expedição aqui:




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